Fazer os primeiros clicks de um céu repleto de estrelas tem seus desafios. Recolhemos aqui alguns conceitos e dicas para te ajudar a começar seus registros noturnos.

Pedra Branca, São José/SC. 20’’, f2.8, 16mm, ISO 3200

Fuja da luz!

Parece óbvio, mas este é o primeiro conceito – e talvez o mais importante – para fotografia noturna. Para que as estrelas apareçam e possam ser captadas pela sua lente, você precisa evitar outras fontes de luz.

Algumas dicas:

  • Fuja dos centros urbanos. Iluminação pública causa uma enorme poluição no céu. Fique distante de qualquer centro urbano, inclusive cidades pequenas. Mas não assuma riscos desnecessários, esteja atento.
  • Preste atenção na lua! O principal corpo celeste a iluminar o céu será a lua. A melhor fase para astrofotografia é a lua nova, quando a lua não está visível. O final da lua minguante e o início da lua crescente também funcionam. Esteja atento aos horários de nascer e pôr da lua (mais sobre isso a seguir).

Por fim, acompanhe também a previsão meteorológica. Um céu limpo ou com poucas nuvens é o que queremos.

Lua nova, longe da cidade e em bom tempo. As condições para uma boa astrofotografia não são fáceis de conseguir. Planeje-se!

Tripé

Nem cogite realizar astrofotografia sem um tripé. Apoiar a câmera em algum lugar não será suficiente.

💨 Alguns modelos de tripé possuem um gancho na coluna central. Isso pode ser muito útil em dias com vento, onde você poderá pendurar sua mochila como contrapeso.

Lente

Você vai querer uma lente wide, mas não fisheye. Recomendação básica:

  • Fuji (APS-C ˜1.53): 10 a 16mm
  • Full Frame: 15 a 24mm

Quanto mais aberta (clara), melhor. Considere a partir de f/2.8 – há registros com lentes mais fechadas, mas não recomendamos.

Configurações da câmera

Agora sim! Tripé no chão, noite limpa, escuridão. Aquela lente certa montada na câmera, vamos para as configurações:

  • Foco manual. Nem pense em confiar no AF. Mude para manual, leve a área de foco para a estrela mais brilhante no céu (que será basicamente um pixel no LCD) e ajuste o foco nela. Será um pouco antes do infinito. Caso não consiga ver, suba o ISO. Depois ajustaremos na hora da foto.
  • IBIS/OIS desligados. Isso vale para qualquer foto em tripé, em especial para astro. Desative qualquer tipo de estabilização.
  • Timer ou remote shutter. A microvibração ao clicar no shutter pode inviabilizar sua foto. Se você não tiver um remote shutter ou shutter release, ative o temporizador da sua câmera – todos os modelos possuem isso. Algo em torno de 2 segundos já será suficiente.
  • Desative redução de ruído. Desligue qualquer tratamento de ruído (noise reduction) que sua câmera tenha. É comum que as estrelas sejam confundidas por ruído, afetando negativamente sua foto.
  • Shutter speed merece uma conversa um pouco mais longa. Veja mais abaixo.
  • ISO vai depender muito da sua câmera. Em modelos ISO-invariante, experimente uma configuração na faixa de 2000. O mais importante é você fazer fotos com diferentes configurações.

Velocidade do Obturador

O pensamento mais comum seria deixar o obturador aberto pelo máximo de tempo possível, para absorver mais luz. O problema com isso é que a Terra está girando. Se você fizer uma exposição muito longa, os corpos celestes estarão borrados – porque a câmera está em movimento. Pesquise sobre star trail, é inclusive um nicho da astrofotografia (com algumas técnicas, não simplesmente uma longa exposição).

Então, como conseguir luz suficiente para registrar as estrelas mas sem que elas se movam? Há um cálculo bastante popular (e polêmico) chamado de regra dos 500: $ss = 500/df$, onde:

  • ss: shutter speed, a velocidade do obturador, em segundos
  • df: distância focal equivalente a full frame

Ou seja, se você estiver utilizando uma APS-C Fuji com uma lente 16mm, o cálculo seria: $500/(16×1.53) => 20$. Logo, 20’’.

🏆 Experimente! Quando estiver em campo, faça testes com diferentes configurações, especialmente de ISO e SS. As condições de cada foto são únicas, não perca um registro por limitar-se a uma regra teórica.

Composição

Ah sim, quiçá o aspecto mais importante da fotografia!

Naturalmente, compor uma fotografia noturna tem seus desafios. O primeiro deles é a angulação dos corpos celestes – ou seja, o quão “baixos” (próximos do horizonte) ou “altos” (acima da sua cabeça) eles estão.

Como a Terra está em movimento (vimos isso na sessão sobre tempo de exposição), haverá uma janela de oportunidade para melhores composições que não sejam simplesmente a câmera apontada para o céu.

São Miguel dos Milagres/AL. 15’’, f/2.8, 16mm, ISO 1250

Para esta questão em particular, convém utilizar a tecnologia a nosso favor. Há dois aplicativos que recomendamos:

  • Star Tracker Lite: para você identificar corpos celestes no céu. Pode te ajudar a incluir um planeta ou constelação na foto.
  • Photo Pills: app super completo. Permite projetar horário, posição e ângulo do sol, lua e via láctea. Ótimo para planejamento.

Ao incluir outros elementos na sua imagem, opte por objetos/formas imóveis, como montanhas ou construções. Uma vez que a exposição será longa, objetos que podem se mexer tendem a ficar borrados – imagine uma árvore balançando ao vento.

Procure também balancear a imagem entre elementos de primeiro plano (foreground) com os corpos celestes. Em uma boa astro, você perceberá um “acúmulo” de corpos celestes em alguma área do céu. Tente equilibrar isso com outro ponto de interesse na composição.

Edição

Não há astrofotografia sem pós processamento. É certo que você precisará editar luz e cores – ou seja, certifique-se de ter o raw!

Veja a como a imagem é transformada:

Alguns conceitos fundamentais são:

  • Filtro/máscara: se a cena tiver mais do que apenas o céu, é recomendado utilizar filtros/máscaras para aplicar a maior parte das edições apenas no céu.
  • Temperatura: experimente white balance na faixa de 3500k. A luz noturna é fria.
  • Exposição: não tenha medo de aumentar a exposição no céu, especialmente se você manipular diretamente os níveis/levels. Com maior exposição e edição dos níveis, você conseguirá estrelas nítidas sem induzir ruído na imagem.

Para Capture One, recomendo o vídeo a seguir como ponto de partida:

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